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Poema para quem foi

Quando você chorou, foi quando te amei mais fundo e mais alto. Era quando guardava tua luva de boxe e descia do teu salto alto. No fundo, chorava teu choro de guerreira, marcada por uma luta antiga e diária, trazida lá dos confins do tempo. No fundo, amava teus heróis da guitarra, alçados ao teu altar musical, às vezes humilde como uma formiga, às vezes...
por Paulo Atzingen (textos e fotos) Desço pela trilha uns duzentos metros e já consigo ouvi-la. Aquele estrondo das águas na pedra ecoa por aqui a milhões de anos e transporta-me pra fora desse tempo de negócios e contratos, faturas e boletos, recibos e promissórias do qual acabo de escapar. O cheiro combinado de luz solar, planta e terra é...

Crack digital

À margem do mundo em telinhas com seu caos em linha reta - um precipício na busca do nada - vejo fantasmas, sombras bizarras tropeço, caio, levanto o cristal me acalma... Sinto falta de ar e me espanto! Ouço um baque um tiro, um grito. Minh'alma por uma pedra de crack! Não sei quem está mais louco com essa carga da mente pesando se eu, com essa droga letal que expulsa de...
Reli a obra de Franz Kafka ontem na sala de repouso e recuperação da clínica odontológica. O livro, catado por acaso na estante de casa, era do tamanho de uma viagem de três horas para Salvador ou de um descanso pos-operatório resultado de uma cirurgia como essa, bastante invasiva e demorada. Quando saí da cadeira do cirurgião-dentista, já com a sedação...
Sou hóspede solitário na casa de minha amiga Ciça. Essa solidão, no entanto, é uma solitude necessária, um convite para observar a aura desta região da Serra do Mar que agora pela manhã está engolida por uma neblina densa que lembra o fog londrino, sem clichê. Ciça viajou e deixou a casa sob a minha guarida. Seu único pedido foi...

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