Enquanto os opostos se matam
se atraem e se negam
na passarela do samba
em um embate que não tem fim,
desço ao cerne da cachoeira
aqui nas brenhas do Tocantins.
Alcanço o ápice da queda
quando mergulho na piscina natural,
meu marco civilizatório.
Um desfile de gotas pulverizadas
gravitam depois do impacto
– suaves como confete –
nesta atmosfera
formando um halo; um círculo ilusório
do que fui, serei, ou do que eu era.
Esta festa de água
tem nome de santa
– a cachoeira Santa Bárbara –
e seu véu me cobre
de umidade mineral.
Longe do glamour da avenida
de marketing e merchandise
me espiritualizo
e abro alas ao espetáculo
meu, seu e infinitesimal!
Imperatriz (MA), 17/2/2026























