Padre Juca ainda é lembrado por sua humildade e generosidade

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Uma parte da nossa história está aqui em Cachoeira Paulista. Meu tio, o Padre Juca, foi pároco e capelão nesta cidade nos idos anos 1940 e 50. Fez uma legião de seguidores e devotos. Um puro de coração. Tem estátua e escola estadual com seu nome.

Sua morte, um latrocínio, gerou uma comoção regional, nacional. Hoje encontrei dois entusiastas que cultuam e defendem a memória do Padre Juca aqui em Cachoeira. São eles Riberto Cesar do Carmo (com i mesmo) e Carlos Dorotea.

São pessoas que por gratidão, amor, afeto, fé ou qualquer outra coisa inexplicável expressam uma admiração por nosso tio, sem ao menos tê-lo conhecido pessoalmente. Riberto assumiu a administração da capela São José e da casa paroquial anexa, a mesma que viveu e morreu Padre Juca. Riberto aceitou a incumbência lhe outorgada pelo padre Joaquim Lopes responsável pela ordem religiosa que administra a Santa Casa de Cachoeira Paulista. “Fizemos um mutirão e arrecadamos uma soma em dinheiro da comunidade e reformamos a capela e a casa onde viveu Padre Juca, chamada por ele de meu céuzinho”, lembra Riberto.

Riberto é como se fosse o zelador da casa e me conta da motivação que o levou a esse trabalho que não é remunerado e o faz por pura devoção.

“Eu tenho a honra e a graça de tomar conta da capelinha do meu céuzinho, onde o Padre Juca celebrava e onde ele morava”, relata.

“Tenho 61 anos, na época eu era jovem, mas minha mãe era devota do Padre Juca; hoje se perdeu um pouco, mas a gente ainda tem muitas histórias de intercessão do querido Padre Juca”.

“Há três anos encontrei com um amigo que estava com a esposa na UTI, esperando só o tempo para desligar os aparelhos. Eu fui na UTI, rezei por esta mulher e pedi para o padre Juca interceder; a moça, dona Angela, viveu mais dois anos”, me conta Riberto. “O padre Juca é tido como um santo aqui em Cachoeira Paulista, e se Deus quiser nós vamos caminhando no processo de beatificação”, me disse.

Documentos para a beatificação

Carlos Dorotea é advogado e auxilia na busca e ordenamento dos documentos deixados em vida por Padre Juca. Toda essa documentação está sendo analisada, seus milagres de cura já lhe atribuem a beatificação pelo Vaticano ” , afirma-me o advogado.

Ele me mostra uma cópia digitalizada do testamento de Padre Juca que no registro civil chamava-se José Francisco von Atzingen. Além de deixar explícito em papel passado em cartório a doação de todos os seus bens a instituições de caridade, institutos de assistência social e escolas com seminaristas pobres , o que me chamou a atenção em seu testamento foi o trecho sobre o seu sepultamento: “É minha grande vontade, que, pela minha morte, seja meu corpo colocado em caixão de 3a. ou 4a classe, o mais humilde e pobre, e as vestes sacerdotais, a me envolverem, sejam as mais velhas e usadas. Que [eu] seja guardado e velado por uma guarda de pobres e velhos e que seja transportado ao túmulo pelos pobres, doentes, asilados, vicentinos e homens humildes da roça e outros tantos representantes do povo, especialmente convidados para o enterro. Que sejam outro tanto convidadas as creanças (sic) das escolas e do Jardim da Infância, meus melhores amiguinhos, para cantarem ao meu lado”. (…).Cachoeira Paulista, 23 de abril.de 1958. Façam as suas digressões.

Nesta visita de médico à cidade de Cachoeira Paulista não podia deixar de visitar o túmulo de Padre Juca e lá encontrei um casal de admiradores. Certifiquei-me que após 65 anos de sua morte o homem ainda é lembrado e querido por sua humildade e generosidade.

Paulo Atzingen, Cachoeira Paulista, 21 de abril de 2026.

 

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