A fábula da Casa e da Serra das Cabras

3
145
Serra das Cabras
Assim surgiu a fábula da Casa e o nome da Serra das Cabras (Crédito: Pixabay)

Juanito vivia no fundo do vale na fazenda de Jowkin Égide em uma casinha bem longe da cidade. Sua mãe Dolores era viúva e os únicos bens que possuí­am eram um galinheiro com uma centena de galinhas de Angola e dois cães, Thula e Pirata. A casa era regularmente visitada por siriemas, bem-te-vis faziam ninho e até tucanos davam pouso por lá.

Certo dia pela manhã Dolores fala ao filho:

Juanito, necesitas conseguir un trabajo!!. Vá recolher os ovos das galinhas e arrancar essas árvores ao redor da casa; as raí­zes estão entrando pelo assoalho e rachando o chão! O filho não obedeceu a mãe e para não magoá-la por completo fez foi debastar alguns galhos que invadiam as janelas e criavam sombra na pequena varanda humilde.

Caiu a noite e com ela veio uma grande tempestade. Nem Juanito, nem Dolores dormiram porque a casa chacoalhou de uma forma violenta soprada pelo vento e parecia que suas pequenas colunas de madeira levantavam do chão.

Dolores rezou o terço dez vezes, clamando aos céus para que sua casa  não  virasse lama e entulho. Juanito, ao lado da mãe,  não rezou, porque não sabia rezar, mas fez um pedido a Éolo, o deus do vento.

Um pouco antes de clarear, a tempestade abrandou e tanto mãe, quanto filho puderam dormir e o fizeram profundamente. Pela manhã uma grande névoa cobria a casa. Juanito não conseguia enxergar um metro diante do nariz.

Mamãe! Cadê você?
¡Estoy aquí­, Juanito! ¡En el cuarto! ¿Qué humo es este? ¡no veo nada! Gritou Dolores do outro quarto.

Não é fumaça,  Mamãe,  é neblina!

Caminharam com dificuldade até a varanda de onde vinha uma claridade de sol.

O dia começava seu trabalho jogando luzes sobre tudo. E tudo era de um encantamento só!

Juanito! ¿Qué sucedió?

Mamãe, ainda não sei. Lembro que na tempestade pedi ao deus grego para que a nossa casa fosse içada para o céu e fosse a mais alta da serra!

A mãe não conseguia acreditar no que acontecera da noite para o dia.  Estavam no alto, bem alto e sua pequena casa de madeira se transformara em um grande solar com vários quartos, uma ampla sala com lareira, uma ampla cozinha, uma enorme varanda circundava a casa que tinha também um lago.

À medida que clareava, as nuvens se dissipavam e os bichos que normalmente apareciam pela manhã surgiam, um a um, agora com outra roupagem.  As siriemas transformaram-se em serviçais e vieram servir o café ao filho e í  mãe. O casal de tucanos se identificou como cozinheiro e camareira, respectivamente, os bem-te-vis eram os mensageiros e traziam e levavam notí­cias do mundo.

Juanito, ¿puedes creer esto?

Não mama. Não lembro de ter pedido tanto…

Caminharam juntos, mãe e filho, para a porta da grande casa que estava resguardada por Thula e Pirata. Os cachorrinhos agora eram dois leões enormes, guardiões da casa.

Do lado da nova morada um campo imenso, com uma capela. Dolores leva  Juanito até lá, convence-o a se ajoelhar e rezar e ele assim o faz, sem reclamar, acompanhando-a.  Mais abaixo, onde deveria estar as galinhas de Angola, dezenas, centenas de cabras pastavam.

Seriam, a partir de agora, a fonte de leite e de carne para várias e várias gerações…

Durante a tempestade da noite a casa elevou-se do fundo do vale para o topo da serra içada pelas raí­zes das árvores e pelas forças internas da terra. Isso a ciência explicou.

Mas a transformação dos bichos e do coração de Juanito permanecerão um mistério.

Assim surgiu a fábula da Casa e o nome Serra das Cabras.

Moral: A fé remove montanhas



Paulo Atzingen, outono 2023 (inspirado na Fábula João e o Pé de Feijão)

Compartilhe:

3 COMMENTS

Deixe uma resposta para Vera Marcelino Cancel reply