Crack digital

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À margem do mundo em telinhas
com seu caos em linha reta
– um precipício na busca do nada –
vejo fantasmas, sombras bizarras
tropeço, caio, levanto
me acalmo, me agito
Sinto falta de ar e me espanto!
Ouço um baque
um tiro, um grito.
Meu mundo por uma pedra de crack!

Não sei quem está mais louco
com essa carga da mente pesando
se eu, com essa droga letal
que expulsa de mim o humano
ou tu
com a dopamina
de tua pedra digital.

Se a força do vício me priva
da autoestima pessoal
teu vício pela telinha
te conecta a uma vida tribal

A tribo da impessoalidade assistida
da pose fingida
da personalidade destruída
tu é todos na sarjeta marginal
desse algoritmo global.

Dou-me ao lixo mas tenho a mente limpa
desse ópio moderno
Entorpecente que te infronha
no comportamento das massas
dando-te a preguiça da maconha
e que se espalha pela cidade.
Um pacto de plasma
de eletrons e ions
casado com campanhas de publicidade.

Se o tráfico me dá essa droga
e rouba meu tempo e meu ser
sou vítima de mim mesmo e pago

por merecer…

Mas tu! o post do influencer
com uma mensagem superficial
te chapa!

resta-me dar-te um tapa
pra tu, viciado, largar a telinha
e cair na real!

 

São Paulo, 8 de junho 2025,

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