Poema do Adeus – por Lady Barbosa von Atzingen*

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Queres assim? Pois bem, importa?
Me dá pena, não dá? Romper assim à toa?

Rompimento, porém, não é coisa que doa.

Pensas que voltarei a bater em tua porta,
para reconciliação?
Antes morrer, querido!
Longe ou perto de ti, meu coração
segue o curso normal que me vai dando vida
E entretanto… como disseste?
Ah, sim, pouco importa romper,
mesmo sendo frágeis amarras dos nossos destinos,
que nem sequer foram interlaçadas
E pensar que podíamos nos amar tanto…
Na suprema delícia de viver.
Mas tudo é assim: o bem pouco resiste,
Nunca ficamos em paz, onde a bondade existe.

Pois que fazer agora? Adeus eu vou partir.
Ou antes, é melhor que te vás,
Podes ir. E quando desaparecer na curva do caminho
A tua incomparável silhueta,
Eu partirei então: E talvez me entristeça

Perdendo o teu carinho que nunca me pertenceu.
E talvez me arrependa amargamente
Do que te digo agora. Mas quê! Não me arrependo, não.
Creio que seguirei serenamente, em busca de outro abrigo
Para o meu pobre coração…
ótimo! mas que vejo, meu Deus!
Nos olhos teus, uma expressão tão amargurada…

Acaso percebeste essa profunda mágoa
Com que te falo agora? Vês, querido, como a minha alma

se despedaça e chora?
É que no rosto teu há revelações tão sentidas,

Que eu até adivinho, eu vejo,
O teu desejo imenso, o meu grande desejo,
De reencontrar as nossas duas vidas.

 

*Lady B. von Atzingen, foi poeta, escritora, professora e autora de peças de teatro. *29/04/1925 – + 1982

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